29 de setembro de 2022

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Banco Inter (BIDI11): com queda de mais de 70% desde a máxima e forte volatilidade, vale a pena comprar ações?

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Maior parte dos analistas tem recomendação de compra, destacando crescimento de indicadores-chave e valuation aquém dos pares, mas ressaltam riscos no radar

O Banco Inter (BIDI11) não está em um momento fácil – as ações unitárias da companhia acumulam queda, apenas em 2022, de mais de 22%. Ao se levar em consideração os últimos 30 dias, a baixa é de 34,05% e ao aumentar o período para seis meses a queda é de 72,94%. O preço da ação encerrou o pregão de quinta-feira (13) em R$ 22,10, depois de chegar a casa dos R$ 85 ao final de julho do ano passado.

Há, então, uma tendência contínua de queda, por diferentes motivos.

Entre as explicações, se destaca a alta dos juros, que se fortaleceu nos últimos meses em meio aos sinais de inflação resistente e aperto da política monetária dos bancos centrais pelo mundo. “É natural que as fintechs, que estão em fase de crescimento, demandem mais capital para continuar no movimento ascendente. No cenário de juros subindo e com o humor do mercado não tão bom, investidores e analistas questionam se elas vão ter o capital que precisam para sustentar o avanço”, diz Rafael Ragazi, sócio da Nord Research.

Henrique Esteter, especialista de mercados do InfoMoney, aponta também para o fato de que companhias como o Banco Inter são analisadas por investidores muito através de previsões. “São empresas com ritmo de crescimento alto e quando projetamos um modelo de valuation, boa parte dele é estipulado pensando no futuro”, comenta. “Quando há um aumento da taxa de juros, há um aumento da chamada taxa de desconto, que causa a desvalorização dos papéis”.

A alta dos juros e seu decorrente impacto acabou ainda causando um movimento de stop loss, com um grande player vendendo ações para conter seus prejuízos. A movimentação do “Monstro do Leblon”, o fundo Ponta Sul, gerido por Flávio Gondim, aumentou ainda mais a volatilidade para os papéis no início do ano. A participação da gestora no Banco Inter recuou de 12% para 7,37%, após um leilão que inundou o mercado com ativos da companhia.

Existem ainda outras possíveis explicações, como, por exemplo, a falha do Banco Inter em completar a sua reestruturação, que envolvia a listagem da Nasdaq e era parte do “próximo passo” do avanço da companhia no mercado americano.

Mesmo com queda, maioria de recomendações para Banco Inter é de “compra”
Apesar da forte baixa, a maioria dos analistas mantém uma boa perspectiva para a companhia. Segundo levantamento da Refinitiv, sete casas de análise sugerem a compra do ativo e uma a manutenção dos papéis.

Na primeira semana do ano, os analistas do UBS elevaram a recomendação para o ativo BIDI11 de neutra para compra, ainda que reduzindo o preço-alvo de R$ 81 para R$ 46.

“Os riscos estão mais do que precificados. Achamos que os investidores estão muito focados no custo de capital e subestimam que mesmo com uma alta deste número, há a oportunidade de um upside de até 30%; investidores não precificam prêmios pelas novas iniciativas do Inter e o valor de mercado, ao se considerar a relação com o número de clientes, está descontado”, explicam Thiago Batista, Olavo Arthuzo e Philip Finch, que assinam o documento do banco.

O Inter, atualmente, tem um custo capital de cerca de 14,1%, pouco mais alto do que a média dos bancos brasileiros, de 13,5%. Apesar disso, para o UBS, mesmo que esses gastos disparem para 15,8%, as ações ainda teriam margem para subir até R$ 34.

Quanto à última variável, para fins de comparação, o Nubank (NUBR33), outro banco digital, é negociado a uma relação de US$ 810 por cliente, enquanto o Banco Inter, a US$ 270.

Antes disso, em relatório de meados de dezembro, o Itaú BBA havia apontado o Inter como principal escolha entre os bancos digitais de sua cobertura, reiterando recomendação equivalente à compra para o ativo, com preço-alvo de R$ 77 – mais de três vezes o preço atual.

Analistas veem resultados prévios com bons olhos
Fora o desconto no valuation, analistas apontam também que o Banco Inter trouxe dados positivos em suas prévias operacionais no 4º trimestre de 2021, divulgadas em 11 de janeiro. “Em linhas gerais, os números vieram bons, com destaque para a abertura de novas contas e expansão da carteira de crédito”, comentou a Levante Investimentos.

A companhia atingiu uma carteira de crédito de R$ 6,1 bilhões no fim de 2021, alta de 69% na base anual, chegando a R$ 20,1 bilhões no acumulado do ano, crescimento de 123%. “Destaques para as linhas de crédito de Crédito para Empresas e Crédito Consignado que cresceram no ano 148% e 121%”, diz a Levante.

Nas novas contas, o Banco Inter adicionou 2,5 milhões de clientes apenas nos últimos três meses de 2021, chegando a um total de oito milhões no ano, totalizando 16,3 milhões de clientes, crescimento de 82% em 12 meses. “Os números apresentados pelo Inter em sua prévia operacional mostram que a fintech continua seu plano de expansão de maneira bastante satisfatória”, conclui a equipe.

O Bank of America foi no mesmo caminho, “a administração comprovou sua capacidade de aumentar a base de clientes, e agora esperamos que eles demonstrem sua capacidade de iniciar uma tendência de monetização mais rápida, mantendo a qualidade dos ativos e os custos sob controle”, comentaram. “Vemos a recente queda do preço das ações criando um ponto de entrada muito atraente”, completam.

O BTG Pactual, em relatório, afirmou ver que a maioria dos indicadores-chave de performance (KPIs, na sigla em inglês) mostram desempenhos saudáveis e realçou a performance da carteira de crédito.

Tanto o BTG, quanto o BofA e o Bradesco BBI, a despeito das leves oscilações de interpretação, mantêm recomendação de compra para as ações unitárias do Banco Inter, com preços-alvos fixados respectivamente em R$ 65 (upside de cerca de 194,1%, levando em conta o fechamento de quinta), R$ 60 (upside de aproximadamente 171,5%) e R$ 51 (potencial de alta de 130,7%).

Riscos no radar


Existem, porém, riscos para aqueles que querem investir nas ações. O Bradesco BBI, por exemplo, viu as prévias de maneira neutra, afirmando que o principal foco para 2022 deve ser a originação de crédito, “especialmente considerando um cenário macro mais desafiador”.

A Levante, apesar de elogiar a performance, também pede cuidado em seu comentário. “A falta de monetização, por sua vez, fez a Levante pedir cautela em relação ao banco. “Ainda acreditamos que o Inter está longe de alcançar a rentabilidade que consideramos desejada para uma operação que é financeira, e acreditamos que isso é um dos principais responsáveis pela derrocada de suas ações, para além do cenário macro”, falam.

O Goldman Sachs, que possui recomendação de venda e com preço-alvo em R$ 4 para a ação preferencial do banco (BIDI4, com projeção de queda de 47% frente o fechamento da véspera), também comenta que se mantém cauteloso quanto à capacidade do Inter monetizar seus clientes. Outra preocupação para os analistas é a capacidade do Banco Inter de colocar sua entrada no mercado americano em prática.

O que difere mesmo na visão do Goldman Sachs em relação aos demais, porém, é visão do banco para a precificação das ações do Inter. “A ação está sendo negociada a um múltiplo de 84,8 vezes na comparação com o preço para os ganhos projetados para 2022, enquanto nossa meta de preço implica que ela deve ser negociada a 34 vezes”, apontam.

O BTG, por sua vez, aponta que o momento agora é negativo para histórias de crescimento com baixa lucratividade, mas aponta o Inter conseguiu mostrar um crescimento consistente e frequentemente entregar em excesso. “Assim, mesmo com a ação corrigindo mais de 70% em relação ao seu recorde histórico de R$ 85, continuamos confiantes na tese de investimento”, avaliam os analistas.

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