29 de setembro de 2022

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Investimento no agronegócio é opção defensiva para 2022, mas não está livre de riscos climáticos e de preços, dizem especialistas

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Durante painel do evento do Onde Investir 2022, gestores destacaram vantagens como crescimento estável e receita dolarizada das empresas do setor

A forte turbulência que deve ser sentida nos mercados com a aproximação das eleições vai exigir sangue frio dos investidores. Em meio a esse cenário, ativos do agronegócio podem oferecer diversificação global e maior exposição ao dólar, o que tende a ser visto como uma alocação mais defensiva em um ano de grande instabilidade política e econômica.

Para Franco, o agronegócio é bastante beneficiado em um ambiente de maior volatilidade porque está mais exposto à economia global e por ter a receita dolarizada. Isso sem contar com o fato de que o avanço da inflação pode impactar fortemente outros setores neste ano, como o varejo, por exemplo.

O mesmo, no entanto, não ocorre com o agronegócio. Segundo o sócio da Hix Capital, a capacidade do produtor rural não é tão afetada negativamente na hora de escoar o produto em um cenário de pressão inflacionária.

A visão é compartilhada por Paulo Mesquita, da Riza Asset. Segundo ele, as empresas do setor possuem um crescimento mais estável e são menos cíclicas do que a economia brasileira de modo geral. “Por isso, o setor seria [considerado] bastante defensivo”, afirma.

O executivo ressalta ainda que 2022 deve ser muito positivo para commodities agrícolas. “Nós estamos vendo o melhor ano de margens para produtores e empresas de produção agrícola dos últimos 10 a 15 anos”, destaca.

O maior otimismo está ligado também ao cenário internacional. Segundo Arnosti, da BB DTVM, a visão da casa é de que o crescimento global deve ficar entre 4,5% ou 5% neste ano, percentual acima da média dos últimos anos.

Além da expansão da economia global, o nível de estoque mais baixo de commodities no mundo e a demanda mais firme devem ajudar a impulsionar o setor neste ano, segundo o especialista da BB DTVM, que acredita que o investimento no agronegócio pode garantir uma boa diversificação ao portfólio dos investidores.

Riscos do investimento

Embora a visão esteja mais otimista com o setor, especialistas não descartam riscos no cenário. Entre eles está o fator climático, com chegada do La Niña, destacou Arnosti.

Mesquita, da Riza Asset, também disse que a piora do clima em algumas regiões é acompanhada de perto pela gestora. Segundo ele, os fatores climáticos são mais preocupantes na região Sul, entre o Paraná e Santa Catarina.

“Devemos ter um quebra de safra que os números da Conab [Companhia Nacional de Abastecimento] ainda não refletem”, diz. “A safra brasileira deve vir para baixo, mas em compensação fazia tempo que não tínhamos uma safra tão avançada [em termos de plantio]”, completa Mesquita, dizendo que isso pode ajudar o setor.

Segundo Mesquita, as próximas duas a três semanas serão “decisivas” para entender os impactos em regiões com grande volume de chuva nos últimos dias.

Outro ponto que preocupa, na visão do executivo da BBDTVM, está na pressão de custos. Segundo ele, há uma preocupação com o preços das commodities metálicas no mercado internacional e com o preço elevado do petróleo.

“O preço do fertilizante poderia ficar maior, a depender das condições das commodities lá fora”, afirma Arnosti.

Mesquita, no entanto, ressalta que o custo mais alto do fertilizante só deve ser sentido no balanço de 2023, porque essa safra de agora já está comprada.

IPOs

Ao ser questionado sobre o desempenho de alguns papéis de empresas do agronegócio que abriram capital da Bolsa no ano passado e acumulam retornos negativos, Arnosti destacou que a razão para as performances não homogêneas pode estar no timing, ou seja, o período em que as ofertas foram feitas.

“O primeiro semestre foi positivo e depois houve uma correção forte para baixo e o índice terminou com forte queda. O timing do IPO foi importante”, diz Arnosti, acrescentando que as empresas que lançaram ofertas no primeiro semestre pegaram um ambiente melhor do que as do segundo.

Outro ponto, na visão de Franco, da Hix Capital, é que companhias que optaram por realizar ofertas com esforços restritos, seguindo a Instrução CVM 476, sofreram mais. O sócio da gestora explica que essas ofertas costumam ter menor liquidez. “Tem papel que não tem investidor institucional olhando e não tem comprador marginal, o que dificulta”, afirma.

Boom de Fiagros de “papel”

Além de ações, outra opção que vem ganhando força no mercado do agronegócio são os chamados de Fiagros, fundos que investem nas cadeias produtivas agroindustriais. Ao ser indagado sobre a predominância de ofertas de Fiagros de “papel”, ou seja, que investem em ativos como Certificados de Recebíveis ou Letras de Crédito do Agronegócio (CRAs e LCAs), entre outros, Mesquita disse que o movimento foi impulsionado pela alta da Selic.

Nesse caso, diz, Fiagros de “papel” têm impacto positivo porque esses fundos carregam papéis indexados à taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), levando esses produtos a ter rendimentos momentâneos superiores aos Fiagros de “tijolo”, que investem em terras agrícolas, por exemplo.

“Nós temos um fundo de terras e é difícil que ele consiga competir com os Fiagros de papel. A valorização das terras não ocorre da mesma forma do que com os imóveis tradicionais. Eles têm ciclos de alta e de estagnação”, diz o gestor da Riza.

No caso de agora, esse tipo de mercado está em alta, o que pode ser interessante para o médio e longo prazos, afirma Mesquita. Ele reconhece, no entanto, que no curto e médio prazos, Fiagros de papel podem ser mais atrativos ao investidor.

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