29 de setembro de 2022

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NFTs além do hype: como os tokens não fungíveis podem mudar a economia global

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NFT é um dos alicerces essenciais dessa nova forma de interagirmos com o mundo digital e que dá base para a WEB 3.0 e iniciativas de metaverso

2022 começa e a atenção sobre NFTs não para, a tal ponto da palavra NFT estar entre as mais buscadas no Google nesse começo de ano. Colabora para esse movimento o fato de celebridades como o Neymar terem comprado NFTs do bored apes e os valores envolvidos nessas transações, que ficam longe do que meros humanos podem pagar e atiçam a curiosidade de todos sobre o porquê disso.

Nesse texto vou tentar sair da visão da árvore e olhar a floresta, ou seja, sair um pouco do hype que hoje envolve NFTs e olhar a capacidade de transformação que essa tecnologia tem e que, em muitos aspectos, já está se tornando realidade.

Mais do que serem tokens não fungíveis, NFTs são a criação de escassez em um mundo digital de abundância. Na internet tudo é a abundante. Pense em quantos stories você produz e vê no Instagram todo dia, quantos sites, textos, vídeos você viu nos últimos meses sobre qualquer tema que tenha interesse; vá procurar uma explicação sobre NFTs e, além dos textos que relacionei aqui, e esse mesmo artigo, encontrará milhares de explicações. É um mundo massificado, com enormes ganhos de escala e onde todos os agentes atuam nesse sentido.

Com a introdução de NFTs cria-se a chance de existirem bens escassos nesse ambiente e isso abre um leque enorme de possibilidades.

Está certo, os NFTs começam pelo mercado de artes. E aí vem o primeiro ponto. Por que alguém compraria um item que pode ser facilmente copiável?

Bem, quem nunca viu uma cópia de um quadro do Monet, de Van Gogh ou de qualquer artista em uma parede? E isso lhe impede de quando ir ao museu querer ver o original? Alguma vez isso mudou o seu desejo de querer ter o original? Os NFTs de arte seguem essa lógica.

A Mona Lisa pode ser copiada milhares de vezes, mas a original todos sabemos que está no museu do Louvre em Paris. O fato dela ter inúmeras copias não muda nada e com NFTs de arte seguimos o mesmo caminho.

Mas NFTs não servem somente para arte. Servem para representar no mundo digital um bem escasso e é aqui que vejo o enorme potencial dele.

Começando pelos ativos reais, palpáveis. Pense na enormidade desses bens que você poderia representar no campo digital, partindo do princípio de que consiga colocá-los como bens únicos.

O lugar onde você mora, por exemplo, pode ser representado por um NFT que tenha ele como base. Um NFT de um apartamento ou casa. Uma foto em alta resolução da sua última viagem, pode gerar um NFT. Uma frase inusitada que tenha falado e que queira guardar para a posteridade, também pode gerar um NFT.

Ou seja, praticamente tudo o que temos e produzimos no mundo real e que seja um bem único é passível de gerar um NFT. Isso por si só já é uma mudança enorme, mas o que vem a seguir é o que acredito ser a mudança singular.

Como passamos cada vez mais conectados, estamos cada vez mais propensos a ter bens nesse mundo. Sejam as criptomoedas, as roupas do Fortnite, as armas dos jogos, ou qualquer outro ativo digital que possa imaginar.

Esses ativos não são representações do mundo real, palpável, no mundo digital, mas sim ativos que só existem no mundo digital. Um Bitcoin (BTC) não é palpável. A ação do Itaú (ITUB4), tampouco. Não há papel ou certificado de nenhum dos dois para que possamos guardar no cofre. Há alguns anos até se poderia ter certificados de ações do Itaú em casa, mas isso já não existe há algumas de décadas.

O potencial do NFT é o de transformar esses ativos que já existem somente no campo digital em um ativo que não necessite de um intermediário para atestar sua validade.

O registro da ação do Itaú é um bom exemplo. Quem atesta sua veracidade digital é um complexo sistema de custódia, bolsas e corretoras que envolve vários intermediários e custos. Um NFT de uma ação pode trazer quase todas as características desse sistema, mas de uma forma distribuída e sem necessidade dessa infinidade de intermediários, o que também se reflete em custos mais baixos. Mesmas funções com menos intermediários, alcance global e custos mais baixos.

Pense você comprando ações da empresa que quiser a nível global sem a necessidade de nenhum intermediário. Os NFTs já tornam isso possível hoje, em 2022, do ponto de vista de tecnologia. As barreiras para não fazermos são regulatórias e culturais. Vejo como uma questão de tempo para isso acontecer.

Um outro bom exemplo do potencial desses ativos são os NFTs de música. Se um cantor ou grupo for o detentor de determinado NFT da sua música ele pode “alugar” ele para quem quiser ouvir de uma forma descentralizada, sem necessidade de intermediários como o Spotify, que hoje fica com uma grande parte da receita.

Sistemas que garantem a distribuição de pagamentos de royalties ou patentes, como o ECAD no caso brasileiro de música, se tornam desnecessários. Além disso, haverá uma interação mais próxima entre artistas e seu público.

O grande ponto aqui é que a tecnologia que teve o seu primeiro caso de uso no Bitcoin, a blockchain, está entrando em sua fase exponencial, com o potencial de não mais somente cortar os intermediários de sistemas que tratem de bens fungíveis (moeda, transações comerciais, dinheiro etc.), mas também de bens não fungíveis (apartamentos, música, roupas etc.). E a quantidade de bens não fungíveis que temos no mundo é milhares de vezes maior do que a de itens fungíveis.

NFT é um dos alicerces essenciais dessa nova forma de interagirmos com o mundo digital e que dá base para a WEB 3.0 e as iniciativas de metaverso.

Em outras palavras, o que está começando agora como uma brincadeira de comprar gatinhos (cryptokitties) ou macaquinhos (bored apes) digitais está sendo um ambiente de testes fenomenal para o que está por vir.

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