4 de outubro de 2022

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Pix custou só US$ 4 milhões e projeto completo levará mais 2 a 3 anos, diz presidente do BC

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Campos Neto falou também sobre o real digital, criptoativos e ‘o fim do cartão de crédito’: ‘Não faz sentido ter 3 pedaços de plásticos na carteira’

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou nesta segunda-feira, 6, que o desenvolvimento do Pix custou só US$ 4 milhões (menos de R$ 20 milhões na cotação atual) e que sua implementação total ainda deve levar de dois a três anos, mas o projeto já tornou a intermediação financeira mais barata e rápida no Brasil, permitindo o surgimento de novos modelos de negócios.

“Se você torna a intermediação financeira muito mais barata, você vai criar novos modelos de negócios”, disse Campos Neto no evento Valor’s Crypto Summit Rio 2022, promovido pela Valor Capital Group. “Quando o Pix chegou, diversos novos modelos de negócios começaram a surgir.”

O presidente do BC afirmou também que a concentração bancária no Brasil favoreceu a inovação, pois “se tivesse seis ou sete mil bancos, como nos EUA, teria sido mais difícil desenvolver algo como o Pix”. O moderador da mesa, Clifford Sobel, destacou que um dos dirigentes de um braço regional do Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano) ligou para Campos Neto para conversar sobre o Pix.

Ao ser questionado sobre porque o Brasil se tornou um “hub” de inovação financeira, o presidente do BC disse que as características econômicas do paós pesaram. “Começou com a inflação muito alta por um longo tempo. As pessoas foram criativas ao desenvolver formas de se protegerem da inflação, e acho que a partir daí houve uma cultura de encontrar formas de encontrar soluções financeiras”.

Real digital

Campos Neto afirmou ainda que o formato do real digital que a autarquia está desenhando é vantajoso porque “aproveita” a regulação atual de depósitos bancários — o BC quer dar a possibilidade aos bancos de transformarem seus depósitos em “stablecoins” ligadas à moeda digital do Banco Central (CBDC, na sigla em inglês).

Ele disse também que esse modelo deve desenvolver o mercado de securitização (que deve crescer muito). “Outra coisa que fizemos, de outro lado, foi dar a habilidade dos bancos de terem liquidez em troca de ativos privados. Quando coloca essas duas coisas juntas, se securitiza o crédito muito mais rápido”.

“Os bancos brasileiros são muito fortes e aprenderam a viver com a volatilidade, de forma que estão melhor preparados e têm modelos de risco que incorporam muito da volatilidade”, disse Campos Neto. “Acho que estamos vendo novos bancos se organizando em segmentos específicos. Nosso sistema bancário cresceu, mas com menos concentração nos últimos anos”.

Conceito de ‘wallet’

O presidente da autoridade monetária afirmou ainda que a maneira com que a população se relaciona com o sistema financeiro deve evoluir para o conceito de “wallet” (uma plataforma em que os todos os bancos e produtos bancários estariam disponíveis) e que isso vai aumentar as formas de uso do Pix.

“Esse agregador vai conectar todas as contas e vai ter um algoritmo de risco de crédito, de modo que os juros que serão pagos naquela compra serão calculados na hora. Provavelmente é o fim do cartão de crédito da forma que nós conhecemos hoje. Não faz sentido ter três pedaços de plásticos na carteira”.

Sobre os planos futuros, Campos Neto disse que gostaria de ver em algum momento uma plataforma para facilitar o registro de ativos, pois isso ajudaria a desenvolver o mercado de home equity (em que muitas operações são inviáveis hoje devido aos custos de registro em cartórios e às taxas de transação).

Concentração no mercado cripto

Campos Neto afirmou ainda que o problema de concentração de custódia no mercado de criptoativos é algo que preocupa e precisa ser resolvido. “Temos 83% de todos os criptoativos com quatro custodiantes. É perigoso.”

Outro ponto que ele se diz preocupado é que muitas pessoas não estão comprando diretamente criptomoedas, mas notas de participação de criptoativos. “Então estão comprando certificado e supõem que têm ativos por trás. Mas, se não regularmos, não saberemos”.

O presidente do BC disse que o órgão vai regular todas as exchanges (corretoras de criptoativos) para se certificar que haja essa garantia por trás dos certificados negociados (o projeto de regulação do mercado cripto está em fase final de tramitação no Congresso). Outra exigência às exchanges será um registro no país, segundo Campos Neto.

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