25 de setembro de 2022

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Veja os 5 segmentos de BDRs que devem ter a preferência dos investidores em 2022

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Com mais de 700 recibos negociados na bolsa, BDRs de tecnologia, infraestrutura, energia, biotecnologia e ligado à China podem se destacar

O maior número de opções, a liberação para que qualquer investidor invista em BDRs (desde 2020) e o interesse por ativos internacionais fez a procura pelos recibos disparar.

Mas, com mais de 700 recibos de ações de empresas estrangeiras negociados na B3 (B3SA3), em quais investir? Veja a lista com os 5 segmentos mais promissores para 2022.

1. BDR de Tecnologia

As Big Techs Apple (AAPL34), Microsoft (MSFT34), Alphabet (GOGL34), Amazon (AMZO34) e Meta, antiga Facebook (FBOK34) – que já superam um valor de mercado, conjunto superior a US$ 10 trilhões – devem ter a companhia, na preferência entre os investidores, de empresas ligadas à produção de semicondutores.

Felipe Garkalns, head de Private Banking da MyCap destaca algumas empresas do segmento. A primeira delas (e preferida pela maioria do mercado) é a Nvidia (NVDC34). Além de semicondutores, a empresa desenvolve, atualmente, robôs com inteligência artificial, que podem fazer trabalhos manuais na indústria.

Mesmo avaliação tem Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos, reforçando que a Nvidia é o papel preferido da carteira de BDRs da instituição. Segundo ele, além da atuação em semicondutores, a empresa tem forte correlação com o Facebook, depois que a empresa anunciou o metaverso.

“A Nvidia seria uma das grandes beneficiadas pelo metaverso, pois seus chips desempenhariam papel crucial em peças de computação utilizadas nesse sistema. A Nvidia tem sido a melhor performance de nossa carteira de BDRs e, possivelmente, continuará ainda por um bom tempo”, destaca o analista.

Já Crivelli observa também que a oferta de semicondutores não acompanhou a velocidade da retomada da demanda. Ainda existe escassez desses componentes no mercado, o que contribui para a valorização dos papéis dessas companhias.

Outros nomes do segmento que constam entre os preferidos da MyCap é a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC34), voltada ao setor industrial da energia elétrica, e a ASML (ASML34), empresa holandesa que produz semicondutores e softwares. A ASML também consta na carteira recomendada da Guide.

Rafael Nobre, analista internacional da XP Investimentos, destaca também o setor de cibersegurança para 2022. Para ele, toda transição digital foi acelerada pela pandemia, obrigando as empresas a se reforçarem em termos de servidores e de infraestrutura em nuvem.

“Com mais usuários, o número de ataques cibernéticos tende a crescer, e os investimentos no setor também. Por isso, achamos que o segmento continuará em alta, ao menos nos próximos dois ou três anos”, explica o analista.

Na cibersegurança, dois BDRs ganham destaque na carteira da XP: Fortinet (F1TN34) e Cisco (CSCO34). Segundo os analistas, esses são os recibos que possuem mais liquidez nesse setor.

Entretenimento


Olhando para o e-commerce e entretenimento, a Nord aponta outros dois BDRs nos quais aposta para 2022. O primeiro é a Amazon (AMZO34), que tem expandido fortemente o número de centros de distribuição nos EUA e estão fazendo muitas contratações.

“A pandemia fez com que a empresa acelerasse a resolução de problemas para poder crescer. Além disso, a Amazon se reinventou muitas vezes ao longo da história. Com o consumo indo bem (o que já está acontecendo nos EUA) e o desemprego diminuindo, o comércio online será ainda mais favorecido”, observa o Crivelli

O sócio da Nord também destaca a diversificação que a companhia desenvolveu ao longo dos anos. “A Amazon entrou em outros segmentos, como administração de planos de saúde e supermercados com lojas autônomas (autoatendimento), por exemplo. Há várias outras vertentes de crescimento além do e-commerce”, diz.

A outra aposta de Crivelli é o Netflix (NFLX34), pois acredita que a companhia possa surpreender positivamente também neste ano. “Aqui na Nord, nós temos Netflix desde o começo da carteira de BDRs, e a empresa vem entregando resultados excelentes”, afirma.

Crivelli atribui o bom desempenho da Netflix a algumas estratégias: a primeira é a regionalização de conteúdo. “Se você pensar como era Netflix quando iniciou, era com uma loja que alugava DVDs e mandava pelo correio. Com o passar do tempo, evoluiu até chegar ao Netflix digital, que colocava filmes dentro da plataforma”, observa.

Um segunda estratégia, acrescenta Crivelli, foi criação de conteúdo próprio e, agora, estão no terceiro ciclo, que é a criação de conteúdos próprios regionalizados. “Isso gera identificação e fideliza o cliente, que acaba não mudando para um concorrente que só tenha conteúdo americano, por exemplo”, ressalta.

Outro ponto importante que o sócio da Nord destaca é que o foco de crescimento da Netflix tem sido a Ásia. “O poder de regionalizar o conteúdo ficou muito claro com a série sul-coreana Squid Game que, em três semanas, tornou-se a mais assistida do streaming“, disse.

Segundo ele, a Ásia ainda é um mercado pouco explorado do ponto de vista dos assinantes. “Por isso, achamos que a próxima vertente de crescimento da Netflix deve vir por ali. Os outros streamings ainda não conseguem entregar isso”, conclui.

  1. BDR de Infraestrutura
    Para Garkalns, o setor de infraestrutura também deverá ser favorecido em 2022. “Além da tecnologia e inteligência artificial, as empresas de infraestrutura deverão performar bem, por conta do dinheiro que o governo norte-americano injetou nesse setor”, diz o gestor.

A MyCap destaca três BDRs de infraestrutura para 2022. O primeiro deles é Nucor Corp (N1UE34), maior produtora de aço dos Estados Unidos e que pode ser uma das grandes beneficiárias do boom esperado na construção civil por conta do pacote de infraestrutura do presidente Biden.

O segundo é United Rentals (U1RI34), a maior empresa de aluguel de equipamentos do mundo. Com sede em Stamford, Connecticut, aluga todo tipo de maquinário pesado necessário para projetos de infraestrutura, como retroescavadeiras, empilhadeiras e escavadeiras. Sua base de clientes inclui empresas de construção, indústrias, governos e proprietários de imóveis residenciais.

O terceiro é Vulcan Materials Company (V1MC34), maior fabricante de materiais de construção dos EUA, que produz pedra britada, areia e cascalho. A companhia também é uma grande fabricante de asfalto e cimento.

Já a Guide tem na carteira recomendada a Caterpillar (CATP34), também apostando nos benefícios que o plano Biden deverá trazer para essas empresas.

  1. BDR de Petróleo
    A expectativa é de que o setor de petróleo e gás continue em alta em 2022. O motivo é a alta demanda pela commodity e a oferta ainda limitada, que deverá persistir mais tempo do que era previsto.

Crivelli acrescenta outros entraves e dificuldades na produção de energia que tivemos durante 2021 no mundo, e que permanecerão, ao menos, no curto e médio prazo.

Entre eles, a alta dependência da China do petróleo, mesmo que esteja investindo fortemente para mudar a sua matriz energética.

Além disso, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e seus parceiros fazem jogo duro nas negociações referentes ao aumento de produção da commodody.

“Junte essa escassez a mais pessoas precisando de energia, e você explica a alta. Futuramente, o mundo ficará menos dependente do petróleo, à medida que os países tiverem outras matrizes energéticas renováveis. Porém, isso não acontecerá no curto e médio prazo”, analisa Crivelli

Para a Guide, as petrolíferas continuam no radar em 2022, como é o caso da Conocophillips (COPH34), que seguirá na carteira, justamente pela perspectiva de alta no petróleo.

“A empresa vinha apresentando prejuízo, mas conseguiu reverter, e hoje é bastante lucrativa. E o retorno ao acionista é bastante interessante, pois, além do ganho de capital, ela é uma boa pagadora de dividendos, como normalmente são as empresas do segmento no mundo todo”, disse.

Além da Conocophillips, Crespi sugere que o investidor fique atento a outros nomes fortes em 2022, como Chevron (CHVX34), Exxon (EXXO34) e British Petroleum (B1PP34).

  1. BDR de Biotecnologia
    Assim como em 2021, quando estiveram entre as maiores valorizações do ano, os BDRs de empresas de biotecnologia deverão se destacar novamente.

Para César Crivelli, sócio da Nord Research, o mercado ainda não precificou adequadamente, no preço das ações, a nova fonte de receita das empresas de biotecnologia, que é a vacina contra a Covid-19.

“Com cientistas e governos falando sobre a necessidade de uma terceira ou até quarta dose para reforço do sistema imunológico, é possível que a vacina da Covid-19 passe a ser uma receita recorrente para as biotechs“, destaca.

Atualmente, entre os BDRs mais valorizados do setor estão os da BioNTech (B1NT34) e da Moderna (M1RN34). Outros nomes importantes do segmento são Pfizer (PFIZ34) e Astrazeneca (A1ZN34).

  1. BDR ligado à China
    Por fim, as empresas chinesas, mesmo dividindo opiniões, são bastante citadas pelos especialistas. A XP avalia que o risco na China esteja mais no curto e médio prazo. Além disso, minimiza as preocupações de que o segmento imobiliário no país possa contaminar os outros mercados.

“Para o longo prazo, acreditamos no potencial do mercado chinês. Inclusive, esse pode ser um bom momento de compra, mas com visão de longo prazo”, diz Jennie Lee, estrategista de ações da XP, acrescentando, porém, a volatilidade pode seguir. “Investir na China é para quem tem mais tolerância ao risco”, resume.

Enquanto isso, Vinicius Araújo, analista internacional da XP, observa que a China é hoje um contraponto aos valuations caros que existem no mercado. “O país está fazendo o oposto do que o resto do mundo faz. No Ocidente, temos valuations caros e bancos e governos indicando uma postura mais contracionista”, explica.

A Guide, por sua vez, prefere ficar de fora da economia chinesa. Crespi traz o exemplo dos BDRs de Alibaba (BABA34), que tiveram performance ruim em 2021 devido à política intervencionista do país.

“É fato que a empresa cresce, mas há riscos políticos e, por isso, não recomendamos. Preferimos as grandes techs e empresas de setores mais maduros, como petróleo, por exemplo”.

Rafael Nobre acrescenta que, nesse momento, pode ser mais interessante os investidores buscarem setores menos expostos à regulação do governo.

Jennie Lee reforça, contudo, que é preciso olhar a China de forma diferente da economia ocidental, inclusive a forma de intervenção do governo.

“O país tem ambições de ser autossuficiente em tecnologia. Portanto, faz sentido imaginar que o governo cuidará dessas empresas, para que possa competir com os EUA. Por isso, no curto prazo, está corrigindo alguns desequilíbrios do mercado, para conseguir que essas indústrias se desenvolvam no futuro.”

A Nord tem na carteira recomendada o (BCHI39), um BDR de ETF que segue o (XINA11), lançado pela XP. Ambos seguem o índice MSCI China, composto por médias e grandes empresas chinesas listadas em todos os mercados.

Para Crivelli, várias empresas que compõem o ETF estão com valuation bastante deprimido, justamente por causa do intervencionismo do governo.

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